É muito comum, como a realidade geral da educação brasileira, encontrarmos alunos já em séries avançadas com dificuldades na leitura e compreensão textual. Em momentos importantes de seu desenvolvimento escolar, por diversos motivos, algumas lacunas foram deixadas. A insistência no aprendizado eficaz ou a presença constante do educador na correção do aluno são elementos que faltam na rotina diária das salas de aula.
O Projeto Gibi tem a intenção de agir justamente de modo a colaborar para que essas lacunas sejam preenchidas. Embora consciente de sua ação limitada e reduzida a poucas crianças e da complexidade do quadro educacional que se vê, seus voluntários desejam se aproximar desses alunos que se encontram em desenvolvimento, para que possam auxiliá-los em seus processos de aprendizado. O que se deseja é dedicar tempo, ainda que pouco, para estar junto das crianças em seu ambiente de estudo, no momento em que ali estão para se expor ao conhecimento e às dificuldades que lhes desafia.
Para tanto, a escolha do grupo foi planejar essas ações de reforço baseadas em atividades com gibis - gênero literário acessível, atraente e na maioria das vezes, destinado justamente a crianças. No caso do grupo Andorinha, a faixa etária dos alunos é de 9 a 11 anos. Visitando a escola uma vez por semana, as atividades são feitas em um tempo médio de 40 minutos.
Os primeiros encontros com a classe são introdutórios, trazendo noções básicas sobre o universo de um gibi, tratando da sua produção até suas linguagens. O passo seguinte é o da apresentação do gibi a ser usado, previamente escolhido e adquirido com o apoio do patrocinador, a empresa Junior Motriz. Começa-se a leitura em grupos reduzidos de crianças acompanhadas por um voluntário, para que todos tomem parte nela oralmente e possam ser incentivados ao aperfeiçoamento. Esse é um momento importante, quando será possível conhecer as dificuldades mais presentes, tanto na leitura quanto na compreensão da história em quadrinhos.
Após a internalização do enredo, o passo seguinte é gerar reflexões sobre conceitos presentes na história, trazendo para a realidade algumas situações que se sucederam no gibi. O último procedimento é propor questões a serem respondidas por escrito, exercitando a compreensão, reflexão e a escrita. Nesse estágio, portanto, são produzidos resultados que permitem traçar o perfil de cada aluno, possibilitando observar quais aspectos do projeto precisam de mais ênfase.
O conjunto total desses três passos básicos se constituem em um ciclo, baseado em uma história do gibi. Em seguida, outro ciclo se inicia, fazendo uso, se possível, de todas as histórias do gibi. No entanto, antes que o ciclo seguinte se inicie, em geral se faz uma pausa para que seja feita uma atividade diferente, mas que corresponda a uma necessidade geral, enfatizando algum ponto, como já foi dito.
Para acompanhar as possíveis mudanças no quadro geral da turma durante o período, foram produzidos indicadores para a leitura, com parâmetros para a fluência, intensidade de voz, entonação e número de erros. No caso da escrita, foram observados o número de erros gramaticais e a formatação. No final do período, houve uma melhora, embora não em grande escala. Ao final das atividades, diminuíram os erros de um modo geral na escrita, e na leitura também se percebeu mais fluência. Como primeira atuação do grupo, sentiu-se uma reação positiva das crianças, motivando o projeto a prosseguir.